terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

RINDO DA PRÓPRIA DESGRAÇA

Ainda a castelhana...
Ela gostava de intimidar a todos, inclusive a mim, dizendo que fazia macumba... andava sempre com cartas ciganas, tarot, guias e outras coisitas más.
Um dia me irritei e disse a ela que só tem poder aquilo a que damos poder e que não tinha medo do que ela poderia fazer!
Ela acalmou comigo, me pagou uns cafezinhos pretos de manhã cedo e me presenteou com um baralho de cartas ciganas.  Tentei ler meu futuro, mas não tive o mínimo talento pra coisa.
Certa manhã,  ela me deu uma moeda de R$ 0,25 e, solenemente, sentenciou:
- Guarde-a. Não gaste, use-a como a um talismã, mamãe Oxum vai te ajudar.
- Arre! Tô sem nada de dinheiro, é claro que vou gastar!
- Está bem, faça como quiser, ela te ajudará de qualquer maneira.

Saí, fui ao posto de saúde. Lá ganhei meu Kit Natal que eu não havia pego. Sabonete, creme dental, barbeador e outras coisinhas. Vendi o creme dental e um desodorante masculino.
Vendi, também, uns selos do Diário Gaúcho com valor maior que o geralmente pago. Somando tudo, consegui uns R$ 2,50. Dez vezes mais que a moeda-talismã.
Tomei meu café preto com um croassant de goiabada e fiquei pensando:
- Tanta alegria por dois pilas, jamais imaginei!


Nessa nova padaria espiritual
Nessa nova palavra de ordem geral
Eu faço o pão do espírito
E você cuida do delito
De comer, de comer
Onde e como cometer

   Ednardo

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