sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

EU E A PADARIA

Dei-me por conta que penso muito durante o dia, mas só consigo escrever quando estou na padaria.
Nela, um dia desses, encontrei um amigo não muito íntimo. Ele é artista; músico e ator. Entre um gole de café e outro, falei a ele que eu tenho muita imaginação e que ela anda pedindo espaço para a criatividade, mas que no momento só contava com papel e caneta. Nunca fui de escrever, nem bilhete. Acho a minha escrita péssima. Mas desde que vi uma exposição do artista plástico Jorge Macchi, na bienal de 2007 - o Santander Cultural todinho para ele - comecei a rascunhar pequenas coisas. A sua obra tinha me tomado, não de assalto, mas de maneira definitiva.
- Tenho uma história na minha cabeça, não sei como colocá-la no papel. Na minha cabeça ela aparece quadro-a-quadro. Sou visual. Não sei como posso roteirizá-la de maneira atraente, sedutora.
- Oficina literária?
- Não. (ele não sabe da minha situação, ainda)
- Também não acho boa idéia, quem sabe tu vais escrevendo, anotando, como primeiro passo?
Assim começou nossa conversa.
Alguns dias depois, encontramo-nos novamente, na padaria. Filosofamos um pouco e acabei lhe dando o endereço do blog.
- Estás sem enderço certo?
- Sorriso amarelo, É.

No dia seguinte, ele me procurou. Falei da situação.
Hoje almoçamos (um dia de glória, não almoçava desde o ano-novo). Falei-lhe de coisas diárias. De conversas que escuto e que não, pelo menos ainda não, comentei aqui. De que percebo que vou acabar ficando reacionária, ui! Logo eu! E ocorreu-nos a idéia de que há programas para ex-detentos, drogados, etc. mas não há programa para quem está aí, cheia de disposição e com competência para várias atividades.

Na verdade eu tinha escrito múltiplas competências, mas achei que estava me exibindo muito para quem está morando na rua, rsrsrs



Tô aqui escrevendo com o pensamento no Diário Gaúcho que está ao meu lado. Tem duas páginas sobre moradores de rua, tenho que ler... e quem sabe, escrevo para o jornalista... acabo perdendo a vergonha de me expor... dou a cara à tapa... ou ao afago, vai saber!







Obras de Jorge Macchi

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