Não fui à padaria por alguns dias, estava sem dim-dim. Acabei não escrevendo nada direito. Além disso, passei uns dias na casa de uma pessoa, aquela do ano novo. Três dias sem aparecer no albergue despertou a curiosidade dos viventes (ou, melhor, desviventes. Afinal, é assim que me sinto: desvivendo).
Vou contar pra vocês, mas tenho que começar pelo começo.
Um certo dia, ao chegar no albergue, uma moça, do tipo que não possui ovário nem útero, tenta aproximar-se de mim. Sua colega diz:
-não fala com ela, ela é princesa!
A biba não deu bola e se aproximou.
Eu deixo. Sou do tipo receptiva. Ela fala em castelhano. A maioria não entende.
A partir daí, ela andava atrás de mim. Esperava eu sair, pela manhã, para fazer comigo a volta na quadra até a Convivência. Queria passear comigo durante o dia, eu despistava. À noite, eu chegava e ela já se postava ao meu lado contando como havia sido seu dia. E fazia de tudo pra chamar a atenção. E assim era até a hora de dormir. Em quartos separados, pois o albergue possui um quarto para transexuais.
Fiquei sabendo por um usuário, pelo qual tenho simpatia, que ela havia tascado a mão em suas partes íntimas... em plena Voluntários da Pátria, enquanto iam, em grupo, para o albergue no Navegantes. Ele estava indignado e eu me segurando pra não dar uma gargalhada.
Uma noite ela chamou uma albergada de macaca. E na noite seguinte cuspiu em seu jantar, durante uma risada. Disse que havia sido sem querer, não creio.
Ciente de que estava juramentada de levar uma surra, sumiu.
Eu também.
Bueno, quando voltei, fiquei sabendo que eu havia sido o motivo para muitos risos.
Dizem que ela alugou uma peça. E acham que eu estava com ela.
O porquê da graça?
Porque acham que eu estava namorando com ela...
-Essa alemoa...
-Não fica com ninguém...
-Acho que ela é sapata...
-Foi namorar uma biba...
-kákáká
A boa netiqueta
Há um dia

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