Véspera de ano novo. Após um banho super-ultra-rápido, saio em direção à Cidade Baixa.
No bolso 10 centavos. Destino: um certa padaria.
Peço meia taça de café preto e um croassant com goiabada. O jornal informa sobre o movimento nas estradas, como se houvesse necessidade... a cidade está quase deserta.
_ Não acho minha carteira...
_ Não tem problema, me paga depois.
_ Obrigada e me desculpe.
Fosse outra a situação e eu ficaria roxa de vergonha. Eu estava desesperada em ver as ruas vazias, em saber que no dia seguinte tudo estaria fechado: sem dinheiro para comer, sem ter onde tomar o sagrado banho matinal, sem água e sem banheiro. Ou seja: sem o último pingo de dignidade humana.
Meus colegas de situação acham que a vida é assim. Uns aceitam acreditando ser uma provação de deus. Para outros é um dia como outro qualquer: miséria, álcool, drogas. Para outros, ainda, é o período onde se ganha mais esmolas.
Duas senhoras me abordam:
_ Estás passando mal?
_ Não, estou muito triste.
_ Podemos te ajudar?
_Não, obrigada.
Em pensamento, pergunto:
_ Tens como me arrumar um emprego?
Elas me olham e vão. Eu sigo em direção contrária.
Ponho o orgulho de lado e ligo a uma pessoa com a qual me relacionava antes de "cair na rua". A ligação não completava. Liguei para o celular. Deixe seu recado após o sinal. Deixei.
Eu já estava perdendo as forças quando meu telefone tocou:
_ Vem prá cá.
Senti um alívio dolorido.
A boa netiqueta
Há um dia

...não consigo tirar os olhos desse blog...
ResponderExcluirSil
...não se supera conflitos só e aquilo que não ajuda, a vida pode trazer outra saída.A nuvem cinza da "realidade" quando embaça a visão tem que ser removida por quem entende de nuvens cinzas!
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