segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

MOSAICO

Estou relendo um livro do Rubem Alves. Em um dos textos ele comenta sobre o taoísmo, que "é um jeito de olhar o mundo... cada jeito, cada mundo...que é feito de encaixes. Tudo vem aos pares. O que não tem par não existe. Tudo é macho e fêmea: yang, yin. Quando as duas partes do par se encaixam faz "clac" - e a felicidade acontece."
Mais adiante, ele fala do encaixe do pênis com a vagina, e que viver é montar um quebra-cabeça, é procurar encaixe.
Tenho cá minhas dúvidas. Encaixe me remete à engrenagem, que me remete à mecânica.
Me vem à cabeça a imagem daqueles aros dentilhados se encaixando para o motor funcionar. Motor - Indústria - Fumaça Preta - Poluição.
Prefiro pensar que a vida é um mosaico. Cada peça é de um jeito, de uma forma, de uma cor.  E que no encontro dessa diversidade se dá o colorido da vida.
Não sei bem como é o sexo entre duas mulheres, não consigo imaginá-las encaixadas, um burado esperando para ser preenchido, como disse Rubem.  Se minha imaginação for correta, elas estão fora do quebra-cabeças. 
Assim como eu, na condição de moradora de rua.
Na mecânica embutida no quebra-cabeça, se alguém não tem a forma para encaixe na imagem a ser formada ela é descartável.
Talvez daí, dessa engrenagem, tenham surgido os internatos, asilos, clínicas de repouso, de cirurgias plásticas, etc. 
Mas, como diz Rubem no início do seu texto, "cada jeito, cada mundo". Ou, como diria eu, cada encontro, cada colorido.



"Borboletas são
mosaicos coloridos
voando livre"


fico devendo o crédito

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