Na quarta-feira passada, dia 13, o jornal Correio do Povo trouxe uma reportagem sobre pessoas alojadas no viaduto Otávio Rocha. O da Borges, como é mais conhecido. A resposta da prefeitura sobre o assunto era o gancho que eu estava precisando.
Rascunhei umas dez páginas no meu carderno. Li. Refiz. Me dei por satisfeita, havia conseguido uma boa abrangência sobre o assunto, que seria postado em três partes.
Abri minha mochia para pegar o tal caderno... ele não estava lá.Não sei dizer ao certo que sentimentos me invadiram.
Lembro do meu primeiro final de semana na Convivência. Lavamos roupas e fomos secá-las ao sol, em frente, onde se situa uma fábrica que estava fechada. O "guarda da rua" enxotou-nos. As pessoas foram para dentro. Eu resisti, quieta. Ele jogou minhas roupas no chão, me chamou de vagabunda e parasita. Entrei e falei com a diretora da casa, não aceitava a situação.
Lá dentro, observava os usuários e me perguntava em que momento da vida se perde a capacidade de se indignar.
No primeiro dia de cada semana que acesso o blog para postar, dou uma espiada no blog do Mauro, o Taxitramas. No final do seu post ele diz:
É cada vez mais comum vermos pessoas vivendo como animais pelas ruas da capital. É um verdadeiro bando de pedintes, drogados, prostitutas, indigentes e loucos de toda a espécie vivendo por ai em condição subumana.
Os animais que se cuidem.
"Os animais que se cuidem".
Fiquei perplexa.
"Todo idealismo em frente à necessidade é um engano."
Nietzche

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