segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

TRÊS MOMENTOS

Há muito que quero escrever sobre o sistema de assistência social. Esperava um mote.
Na quarta-feira passada, dia 13, o jornal Correio do Povo trouxe uma reportagem sobre  pessoas alojadas no viaduto Otávio Rocha. O da Borges, como é mais conhecido.  A resposta da prefeitura sobre o assunto era o gancho que eu estava precisando.

Rascunhei umas dez páginas no meu carderno.  Li. Refiz. Me dei por satisfeita, havia conseguido uma boa abrangência sobre o assunto, que seria postado em três partes.
Abri minha mochia para pegar o tal caderno... ele não estava lá.
Não sei dizer ao certo que sentimentos me invadiram.

Lembro do meu primeiro final de semana na Convivência. Lavamos roupas e fomos secá-las ao sol, em frente, onde se situa uma fábrica que estava fechada.  O "guarda da rua" enxotou-nos.  As pessoas foram para dentro. Eu resisti, quieta.  Ele jogou minhas roupas no chão, me chamou de vagabunda e parasita.  Entrei e falei com a diretora da casa, não aceitava a situação.
Lá dentro, observava os usuários e me perguntava em que momento da vida se perde a capacidade de se indignar.

No primeiro dia de cada semana que acesso o blog para postar, dou uma espiada no blog do Mauro, o Taxitramas. No final do seu post ele diz:

É cada vez mais comum vermos pessoas vivendo como animais pelas ruas da capital. É um verdadeiro bando de pedintes, drogados, prostitutas, indigentes e loucos de toda a espécie vivendo por ai em condição subumana.
Os animais que se cuidem.


"Os animais que se cuidem". 
Fiquei perplexa.



"Todo idealismo em frente à necessidade é um engano."
Nietzche 

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