24 de dezembro. A casa 2 fechou ao meio-dia. Só reabrirá dia 26. Um temporal assola a cidade.
Resolvo entrar num hotel. Com que dinheiro? Com o de um programa da prefeitura. Não é fácil, os muito baratos geralmente são usados por usuários de crack ou de assaltantes. "Os homi" entram para dar girica, dizem que a pontapés. Opto por um de classe econômica, o que é um luxo para uma indigente. 50 pilas a diária com café da manhã. Ao menos terei onde ficar e ir ao banheiro. Lembrem, queridos leitores, dia 25 tudo está fechado, só resta a calçada.
Um grupo de indigentes está agrupado em frente ao hotel, numa praça. Eles são da rua, e muitos têm orgulho disso, outros são conformados, acham que é uma provação, um teste de deus. Eu estou na rua e não me acostumo, nem pretendo, com essa situação. Se deus existe, eu odeio ele.
De novo sem dinheiro... e o próximo feriado vem aí, logo logo...
A boa netiqueta
Há um dia

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