Às 6 horas da manhã, o guarda acordou as pessoas que dormiam na fileira de cadeiras do lado oposto do saguão. Moradores de rua. Indigentes. Situação em que eu acabara de entrar.
Ali passei cinco noites, em vigília, com frio e fome. Os mendigos da fileira oposta dormiam toda a noite. Três deles mantinham os movimentos sincronizados. Acomodavam-se nas mesmas posições. A cena renderia ótimas fotos, pensava eu com meus botões.
Mesmo com o corpo fatigado e usando as mesmas roupas, os guardas do HPS não me pediram para que eu fosse para a "ala" dos indigentes. De minha parte, mantinha uma postura de acompanhante de enfermo.
Essas noites foram frias e longas. No início da noite não havia cadeiras suficientes. Além dos que acompanhavam os acidentados, assaltados e enfermos, também era horário de visitas. Aguardava o movimento diminuir sentada do lado de fora. Ali, conversava com alguns acompanhantes. Ouvi muitas histórias de sofrimento e pobreza. Aproveitava para filar cigarro (...e a gente vai fumando que, também, sem um cigarro ninguém segura esse rojão...).
Por vezes, insistiam para que eu falasse sobre meu parente internado. Desconversava. Dizia que esperava pelo resultado dos exames para saber se seria necessário realizar cirurgia e que não gostava de falar sobre o ocorrido.
Durante o dia...
A boa netiqueta
Há um dia

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