Inverno.
Ouvi falar sobre um projeto para moradores de rua que se realizava no prédio do Restaurante Popular, mais conhecido como bandejão, onde quem participa ganha um tíquete para almoçar.
Saco vazio não pára de pé, diz o ditado. Fui conferir.
Fui, junto com uma participante, tentar me inserir nele. Grade fechada e um tumulto na frente. Ali aglomeravam-se os participantes, os que pedem esmola aos transeuntes e os que esperam doação de vales para almoço, que são distribuídos em número de dez.
A grade é aberta na medida em que apenas uma pessoa de cada vez possa passar. Não lembro ao certo como se deu, mas entrei como se eu já fizesse parte do grupo, não como mendiga, mas, quem sabe, como voluntária... afinal, o que conta é a aparência, todos sabemos.
O projeto, enquanto participei, era articulado por uma ONG e professores da UFGRS, e contava, também, com duas assistentes sociais. A temática principal, na ocasião, era a de levantar problemas e reinvidicações para os moradores de rua, albergados ou não, para a conferência de assistência social e para a conferência de segurança pública.
Uma das principais reclamações do público masculino era a de que tinham de estar na fila por volta das 12,30h para poderem acessar o albergue municipal a partir das 19h, o que os impedia de procurar trabalho e que ali, na fila, era um ambiente propício ao álcool e às drogas.
A coordenação do projeto convidou a FASC (Fundação de Assistência Social e Cidadania), órgão da prefeitura, para uma reunião em que participaríamos. O convite foi aceito.
Presidente, Diretor e mais uns seis funcionários. Tiraram muitas fotos, como em quase toda a oportunidade. Foto com indigentes deve dar ibope, penso eu. Sempre peço para não ser fotografada.
Aberta a reunião, muitas reclamações sobre os albergues e sobre os banheiros do albergue municipal.
Falei sobre a reinvidicação masculina em relação a fila. (Nós mulheres temos 25 vagas que geralmente não são totalmente preenchidas). Como o senhor Diretor mostrou uma postura defensiva e dizia que "não é bem assim", sugeri que ele fosse verificar in loco. Que o último entrava por voltas das 23h.
Queimei meu filme, mas só soube depois...
A boa netiqueta
Há um dia

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