terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Haviam me falado de uma casa de convivência da Prefeitura, local onde se pode tomar banho e ser atendida por assistente social. Tentei acessar o serviço por duas ou três vezes.
_ Não há mais fichas, tem que chegar mais cedo.
Era sete horas da manhã.
Resolvi xeretar algo no site da prefeitura. Descobri a existência de outra casa de convivência e do Albergue Municipal.
À tarde fui à casa 2, como é chamada no meio. Fui entrevistada pela assistente social.
No final da tarde, como havia sido orientada, dirigi-me ao Albergue.
Ao chegar na esquina, fui acometida de novo horror.
Muito lixo espalhado. Pessoas deitados na calçada, nos dois lados da rua. Cheiro de mijo. Cheiro de crack. Miséria humana.
Tive o ímpeto de me atirar à frente de algum carro. O desejo de viver foi maior.
Temerosa, comecei a caminhar pelo meio da rua até chegar ao portão.
Às 18 horas o guarda anuncia:
_ Senhoras!
Ficamos em bancos, em número não suficiente, entre a grade e o prédio, à esquerda de quem entra. Depois entram os homens, para o lado direito. Às 19 horas entramos. As sacolas ficam no bagageiro, o banho é obrigatório.
Jantei, fumei e caí na cama.

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